Por Camila Torbezz
Era uma noite calma, como todas as segundas-feiras. Do céu caía uma fria garoa que em contato com meu corpo proporcionava um arrepio desigual. Tinha recém-saído da aula de economia que hoje se prolongou por mais duas horas, o professor estava com um fôlego, louco para contar suas experiências da viagem à China. Pelo atraso da aula, perdi meu ônibus e tive que voltar sozinha pelas escuras ruas da cidade. Todas as lojas já haviam fechado e pela calçada os poucos que circulavam desapareciam ao entrarem em suas casas. Coloquei meus fones de ouvido para tornar a caminhada mais curta, escutava a quinta sinfonia de Beethoven, tal música me trazia uma paz interior inexplicável. A cada minuto de caminhada parecia que as ruas se tornavam mais escuras e vazias, já não se viam mais carros passando e muito menos pessoas, até as luzes das casas já estavam apagadas e ainda nem se passou da meia noite, havia algo de estranho acontecendo, disso eu tinha certeza.
Comecei a apressar os passos com anseio de chegar em casa logo e correr para os braços de meu marido, que já devia estar preocupado. Estava com a sensação de ter alguém me observando, mas quando procurava em volta, nada encontrava. A cada passo que dava uma gota de suor frio escorria pelo meu rosto, me dei conta que já estava correndo e tinha a certeza que alguém corria atrás de mim.
Não tinha mais forças para olhar para trás, ver quem era, saber o porquê me perseguia loucamente, só não via a hora de chegar em casa segura com a sensação de que tudo passou.
Eu não tinha mais fôlego para correr, decidi parar, me entregar ao desconhecido. Dei meu último passo, meu último suspiro e olhei para trás.
Não havia ninguém, nem ao menos um gato, a rua estava vazia como quando comecei minha caminhada. Pensei estar louca, mas me senti aliviada por ser apenas uma alucinação. Fui andando para minha casa e quando abri a porta dei um suspiro com tanto vigor, como se agradecendo por estar viva. E eis que, ao fechar a porta, encontro um estranho, vestido com um capuz preto, segurando uma faca ensanguentada e me admirando com um olhar maquiavélico. Aquele com certeza foi meu último suspiro.
21:29
gg
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